CFDs e outros tipos de derivativos
Os tipos mais comuns de derivativos negociados nos mercados financeiros incluem:
- Contratos a termo e futuros
- Opções
- Spreads
- Swaps
- CFDs
- Alguns instrumentos “exóticos”, como opções de barreira, opções binárias, opções chooser, opções rainbow, opções spread e opções de volatilidade.
A maioria desses instrumentos foi originalmente projetada para hedge — ou seja, para ajudar a reduzir riscos associados a transações físicas ou à posse de ativos subjacentes, como ações de empresas.
Cada derivativo possui sua própria mecânica complexa, e antes de negociá-los é importante estudar minuciosamente suas especificidades, entender como funcionam e desenvolver estratégias eficazes. Por exemplo, durante períodos de alta volatilidade no mercado, comprar opções de ações pode protegê-lo contra oscilações adversas nos preços das ações que você possui. Dessa forma, você faz hedge da sua posição principal (ações) com um instrumento derivativo, como uma opção.
Nos mercados de commodities contratos a termo e futuros (entregáveis e não entregáveis — ou seja, envolvendo entrega física da commodity ou servindo como contratos indicativos) são comumente usados para proteger-se contra riscos associados à entrega de determinados produtos, fixar preços em contratos físicos por meio de hedge de futuros ou implementar estratégias especulativas.
Às vezes, faz sentido negociar spreads, abrindo posições opostas em instrumentos semelhantes (por exemplo, comprando um contrato futuro de petróleo bruto WTI enquanto vende simultaneamente um contrato equivalente de Brent), esperando que o spread (diferença de preço) se mova a seu favor. Existem outras maneiras de construir spreads, como comprar um contrato futuro de ouro de setembro e vender um contrato futuro de ouro de outubro. Essa abordagem permite lucrar com a sazonalidade em certos mercados de commodities, enquanto se protege contra fortes oscilações de preço do ativo subjacente — neste caso, contratos futuros de ouro.
Swaps são contratos baseados na troca de ativos ou obrigações (por exemplo, pagamentos de juros, pagamentos por bens a preços fixos ou flutuantes previamente acordados etc.). Geralmente são negociados em mercados OTC (over-the-counter) e muitas vezes acordados diretamente entre as partes, como um cliente e um banco.
Contratos por Diferença (CFDs), embora sejam derivativos, se destacam um pouco desses instrumentos. Ao contrário de muitos outros derivativos, os CFDs não foram originalmente projetados para hedge. Além disso, seus movimentos de preço refletem amplamente a dinâmica dos ativos subjacentes.
Neste artigo, vamos focar em uma comparação detalhada de apenas dois tipos de derivativos: opções e CFDs.
Como funcionam as opções?
Uma opção é um contrato que dá ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo subjacente a um preço predeterminado. Em troca desse direito, o comprador paga ao vendedor um “prêmio” — um valor fixo pela possibilidade de exercer ou não a opção no futuro. Uma vez pago, o prêmio não é reembolsável, embora a opção possa, às vezes, ser revendida a outros participantes do mercado por um preço maior ou menor que seu custo inicial.
Conceitos-chave na negociação de opções incluem:
Prêmio: o custo fixo da opção, pago pelo comprador ao vendedor independentemente das variações no preço do ativo subjacente. Serve como seguro contra flutuações adversas de preço.
Preço de Exercício: o preço pelo qual o comprador pode comprar, e o vendedor deve vender, o ativo subjacente caso a opção seja exercida. Uma opção pode nem ser exercida. Fechar uma posição em opção envolve vender uma opção comprada anteriormente ou recomprar uma opção vendida anteriormente.
Tempo: Ao contrário de ativos como ações, opções têm um prazo limitado. Ao comprar uma opção, você concorda com um período durante o qual o comprador pode exercer o direito. O vendedor deve respeitar esse direito caso o comprador decida exercê-lo.
Tipo de Opção: Uma opção de compra (call) dá ao titular o direito de comprar o ativo subjacente, enquanto uma opção de venda (put) dá o direito de vendê-lo. A data de expiração marca o fim da validade da opção.
As opções também possuem características adicionais, como a decadência do tempo e os “Greeks” (delta, gamma, vega etc.), que são métricas que mostram como fatores como o preço do ativo ou a volatilidade afetam o valor da opção. Outros fatores incluem valor intrínseco e valor temporal, volatilidade implícita e, às vezes, o impacto de pagamentos de dividendos.
Tipos de Opções e um Exemplo Prático
Os tipos mais comuns de opções incluem opções americanas e europeias (os principais tipos de opções negociadas em bolsa), bem como, normalmente, opções asiáticas e binárias negociadas fora da bolsa. Além dessas, existem pelo menos uma dúzia de opções mais “exóticas”, frequentemente referidas assim no jargão profissional, cada uma com seu próprio nome.
Vamos analisar um exemplo prático de negociação de opções usando uma opção americana, o tipo mais popular
Suponha que você compre uma opção de compra (call) de ações da Apple, esperando que seu preço suba, com vencimento em 30 dias. O preço atual da ação é $205. Você define um preço de exercício de $210, e o prêmio da opção é de $3 por ação. Você compra um contrato de opção, com o lote mínimo de 100 ações da Apple (ticker: AAPL). O lote mínimo normalmente é de 100 ações por contrato, padrão nas negociações de opções.
Se, dentro de 30 dias, por exemplo no 10º dia, o preço das ações da Apple subir para $220, você pode exercer a opção (ou seja, usar o direito de comprar o ativo subjacente pelo preço de exercício pré-determinado de $210). Isso permite comprar 100 ações a $210 cada, mesmo que o preço de mercado seja $220, resultando em um ganho não realizado de 100 * 10 = $1,000. Seu lucro líquido, considerando o prêmio de $300 (100 ações * $3 por ação), seria 1,000 – 300 = $700 de lucro bruto, sem incluir comissões e taxas.
Em um cenário negativo, se o preço das ações da Apple cair de $205 para $180 em 30 dias, você, como comprador da opção, pode simplesmente não exercê-la, perdendo apenas o prêmio de $300. Alternativamente, você poderia vender a opção antes do vencimento para recuperar parte do prêmio e reduzir ainda mais as perdas, dependendo de seu valor residual. Se você tivesse negociado as ações diretamente, sua perda teria sido (205 – 180) * 100 = $2,500, com potencial para perdas ainda maiores caso o preço continuasse a cair. Nesse caso, comprar a opção de compra protegeu você de perdas inesperadas substanciais, com o custo desse “seguro” sendo o prêmio de $300.